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sábado, 19 de outubro de 2013

Mistérios revelados: O caduceu de Mercúrio





O Caduceu de Mercúrio, o símbolo da medicina, representa os três canais sutis principais e centrais situados invisivelmente ao longo da coluna vertebral, sendo o local de confluência e distribuição de todas as energias captadas pelo corpo energético e pelos centros de força (chacras), consubstanciando assim na estrutura mais diretamente ligada à consciência comum e àquelas latentes. È por meio da purificação progressiva desses três canais que as energias cósmicas, cada vez mais sutilizadas, abrem o acesso aos estados mais superiores da consciência.


Os três canais principais, ou nadis, com sua distribuição característica, ou seja, um canal central (sushuma), ladeado por dois outros, um solar (pingala) e outro lunar (ida), são um perfeito reflexo do processo cósmico da bipolaridade complementar que gera e mantém a vida mas só se realiza na síntese. Os dois canais laterais, o direito, masculino (yang), e o esquerdo, feminino (yin), estão em relação direta com o canal central , ou principal, sushuma, neutro e sem atributos. Este representa uma síntese dos canais laterais. À medida que o ser evolui, a energia fundamental começa a concentrar-se mais harmonicamente nos canais laterais, ou seja, o indivíduo passa a não oscilar tão fortemente entre os aspectos polares da vida (solicitação de sentidos físicos, desejos, noção de separatividade do ego, ambições egocêntricas etc.), tendendo cada vez mais a concentrar-se em sua vida interior, devido à permanência gradativamente maior da consciência comum no canal central, chamado “portal do espírito”. É desse modo que a consciência individual passa a cultivar mais noções abstratas, que obviamente são de difícil compreensão para a mente concreta trivial. É sushuma a via principal que permite a evolução da consciência aos planos superiores que no caduceu de Mercúrio, é representado pelo cetro com asas no topo, como a simbolizar que sushuma é a via que permite o “vôo” da consciência liberta rumo a divinização. Esta alegoria obedece ao magistral ensinamento de que a chave para o acesso a Deus não pode ser encontrada fora, como querem as religiões e dogma, mas dentro de cada um, como ensinam os sistemas de iniciações. O caduceu de Mercúrio é o símbolo desta chave.


Para a medicina tibetana, esses três canais são as primeiras estruturas que surgem no embrião humano e até a oitava semana de gestação estão formados os principais chakras e todos os “nervos psíquicos” sutis.


Os canais sutis existem em nível etéreo e astral e correspondem, de certo modo, às veias e nervos físicos, mas não são iguais a eles. Purificados e controlados através do tantra, correspondem ao Nirmana-kaya. Os fluídos sutis que neles existem correspondem às essências humorais mais nobres do corpo, que a medicina tibetana divide em cinco tipos; purificados, estes correspondem ao Sambhogakaya. A essência mais sutil da energia principal que flui nos canais centrais está relacionada com a energia chamada ojas e diz respeito ao sêmen físico, ao sangue menstrual e às secreções vitais. Sua forma purificada corresponde ao Dharmakaya.


A literatura especifica afirma que os canais sutis são numerosos, aproximadamente em torno de 72000. Todos eles, entretanto, à semelhança do sistema de afluentes dos rios, confluem para os três canais principais centralizados na coluna vertebral, que reunidos, são simbolizados pelo caduceu de Mercúrio.


Sushuma sai do topo da cabeça, sob a área mole do crânio chamada “porta de Brahma”, e vai até um espaço localizado a quatro dedos abaixo do umbigo. Algumas obras tântricas consideram que o canal central se estende até o órgão sexual. Esse nadi representa o aspecto absoluto, a consciência, a sabedoria não dual. É um canal reto, oco, luminoso e azul. Diz-se ser tão fino quanto a haste de uma seta. Não é o mesmo que a medula espinhal, mas corresponde a ela, pois é o eixo vertical do corpo sutil, enquanto a medula espinhal é o eixo denso.


Pingala e ida nascem também no crânio, surgindo juntos de um ponto sagrado, situado na medula, conhecido como Triveni. Nascem próximos a sushuma, mas afastam-se deste logo acima das sobrancelhas, correndo paralelamente no sentido distal, a aproximadamente uma polegada de distância, e juntando-se logo acima da parte inferior de sushuma, pouco abaixo do umbigo (ou pouco acima da área genital). Essa é a forma como os canais são visualizados na meditação, mas, na realidade, os dois canais laterais se entrelaçam com o canal central em vários pontos importantes ao longo do percurso, assumindo o aspecto de duas serpentes perfeitas e geometricamente entrelaçadas, formando espaços entre os pontos de entrelaçamento, sem nunca se tangerem. Foi exatamente essa imagem que inspirou o caduceu de Mercúrio.


As controvérsias sobre o posicionamento do três nadis principais devem-se ao fato de que apenas os videntes adiantados conseguem observá-los e, como eles existem na quarta dimensão (astral) e no plano etérico invisível, é extremamente difícil apontar sua localização exata, obrigando os estudiosos a lançar mão do recurso da aproximação. Muitos textos orientais mostram localizações um tanto diferentes, embora sempre guardando certa semelhança.



Os dois nadis laterais, embora mais finos do que o central, são igualmente ocos e luminosos. Quanto a suas cores, existem também algumas discussões. Para a medicina tibetana, o canal esquerdo, ou lunar, é branco: ele representa o aspecto feminino e o básico obscurecimento do desejo-apego. O lado direito é vermelho, representa o aspecto masculino, o elemento água e o obscurecimento básico do ódio-aversão. Mas posições totalmente opostas, tanto no tantrismo tibetano quanto no sistema de yoga as Índia. No budismo esotérico, por exemplo, o canal direito é predominantemente vermelho, enquanto no esquerdo predomina a cor verde. Essa colocação se baseia no fato de que esses canais carreiam modalidades de energia ligadas às forças cósmicas chamadas kundaline e fohat, que são respectivamente vermelha e verde. Mas essas cores ocorrem com mais exuberância nos mestres e seres mais adiantados, enquanto no homem comum aparecem alguns breves lampejos desses tons. Existem também obras que mostram uma posição invertida desses canais segundo o sexo, ou seja, na mulher ida está à direita e pingala à esquerda. Contudo esse posicionamento é bastante improvável, pois diverge da ordem cósmica básica.




A descrição das veias sutis e dos chacras a elas associados varia de acordo com o sistema médico ou com o sistema tântrico. Os mestres ensinam que as variações de descrição dos três canais apontam para o fato de ter o meditador de encontrá-los sozinhos e localizá-los conforme as próprias capacidades e tipo de prática.



A confusão quanto ao posicionamento e ás cores dos canais sutis laterais, e do próprio conjunto dos três, deve-se ao fato de que foi necessário ocultar (velar ou “colocar um véu”…) o conhecimento verdadeiro da curiosidade profana, que poderia dele fazer mau uso. Esse foi um recurso utilizado para proteger o conhecimento sagrado, tanto dos homens comuns de seus países quanto de invasores estrangeiros. Por isso, muitas obras ocidentais sobre a medicina tibetana apresentam informações diferentes da realidade esotérica.


Por meios de métodos tântricos e práticas especiais, o fluxo vital (também denominado “ares” ou “essências”) nos três canais é mantido conscientemente no ponto de reunião abaixo do umbigo, para fazer surgir o “calor místico”, que desimpede os canais para fazer a passagem adequada do fluxo vital. Os “ares” sutis contêm a força vital ou prana. Os tibetanos identificam um caráter de reciprocidade entre a mente e o prana, de modo que o domínio a estabilização do prana nos canais centrais também estabilizam a mente. Esse é o princípio básico de todo yoga e das técnicas de pranayama. O padrão respiratório do homem se altera conforme o estado mental e emocional e por isso os estados de espírito e os sentimentos refletem-se no ritmo da respiração. Pela prática do pranayama, manipulando adequadamente a respiração é possível influenciar a mente e a consciência.



Durante a respiração, os dois canais laterais inflam sob a ação do ar aspirado pelas narinas. Ordinariamente, o prana contido no ar aspirado se dispersa por todo o corpo através de inúmeros caminhos para, nos canais laterais a sushuma, formar os “ares psiquicos”, também chamados de “ares kármicos”, porque carregam consigo as forças do obscurecimento mental. O yogue controla os ares kármicos e faz com que cheguem ao canal central de modo a dominar conscientemente e transmutar a força das corrupções “kármicas”.


O corpo depende dos canais centrais, estes dependem do prana para formar a força psíquica, que por sua vez é a base da atividade da mente. A mente comum é a fonte de emoções negativas, com a capacidade de gerar doenças e “demônios”. Pela pacificação da mente por meio das práticas voltadas ao aperfeiçoamento dos canais psíquicos centrais, todas as forças negativas e enfermidades podem ser eliminadas. Com o trabalho sobre os canais centrais, seja pelo pranayama ou pela meditação, vai ocorrendo a purificação dos chacras, quando são retirados os “venenos” as toxinas psíquicas associadas a cada um deles. Essa purificação é feita através da sublimação das energias sutis que passam a ser condensadas na base do canal central, onde é ativada a essência de boddhi que gera o “calor vital” capaz de “queimar e destruir os “venenos”.


O domínio da respiração pode transformar os “venenos” em “sabedorias” pelo controle dos “três caminhos”. O ar aspirado circula para baixo através dos dois canais externos e chega ao canal central em sua parte mais baixa. Quando se retém a respiração enquanto se ligam os dois canais laterais na base do canal central, a essência do “ar da sabedoria” mantêm-se dentro do canal central, ao passo que as corrupções e os “karmas” negativos são expelidos com a exalação consciente.



As energias mais sutis do corpo são geradas a partir do canal central sushuma, e no centro do coração, através da concentração da pura quinta essência, extremamente luminosa e colorida composta pelos cinco elementos. Daí essa energia segue para todos os pequenos canais sutis formando o sustentáculo da vida e da consciência. Quando as emoções negativas embaraçam os canais, provocam o bloqueio dessas energias e, conseqüentemente, o fluxo vital mantém-se mais grosseiro. Por ida, passa um tipo de fluxo ligado a kama e por pingala outro fluxo ligado à manas. Os dois juntos formam kama-manas, o princípio desejo-mente, que se expressa no ahankara. Ao evoluir, vai havendo a superação desse último princípio e a centralização da consciência em sushuma, através do processo da constante purificação desses canais.



Sushuma é o canal ligado diretamente ao qe se chama mais vulgarmente de “foco de percepção”, que é como a pessoa “sente” e “vê” o mundo e a vida. Quando esse canal se acha obliterado ou preenchido por energias demasiadamente polarizadas (sobre a influência de kama-manas ou alimentadas por ida-pingala) a pessoa entende o mundo de um modo obscuro, triste, tedioso, ou desinteressante. Freqüentemente ela se mostra insatisfeita e costuma buscar lenitivos para preencher seu “vazio”, como o álcool, esportes, coleções, etc… estabelecendo rotinas enfadonhas para o viver. Em caso oposto, quando sushuma vai se tornando mais desimpedido, a vida é “sentida” mais ampalmente, com satisfação e luminosidade. Há confiança, esperança verdadeira, certeza, dinamismo, entusiasmo e uma inusitada alegria e satisfação de “estar vivo”; são pessoas felizes e contagiantes, que conseguem ver graça e brilho em tudo, reagem com resignação diante dos reveses e não se abatam. Em casos de abertura maior e uma função mais ativa de sushuma, tem-se a plenitude da consciência e a sensação de “felicidade” é substituída pelo êxtase: a vida é sentida em sua realidade plena, em que o individuo se mantém em “estado de graça” constante. Na verdade, o estado normal do sentimento pela vida é a “graça”, a “bem-aventurança”, o êxtase,e se, não vemos a vida nem a sentimos plenamente sob este ângulo, isso se deve à obstrução dos canais sutis, que torna a vida uma coisa comum e sem atrativos, forcejando o individuo a compensar essa lacuna coma as expectativas frustras do prazer dos sentidos. As crianças tenras (que sempre apresentam os canais desimpedidos e ativos) vivem felizes e alegras com qualquer coisa, por mais simples que seja, admirando profundamente tudo o que está à volta. Talvez seja com base nessa verdade que um certo Mestre Jesus afirmou que “ aquele que não se tornar semelhante a uma criancinha não adentrará o reino dos céus…”


Algumas drogas psicoativas, tais como a cocaína, a heroína, o álcool, agem forçando uma maior concentração de prana em sushuma, anulando temporariamente a atividade de ida e pingala. Como resultado, o individuo tem sensações e percepções muito fortes, ás vezes fantásticas, quando entra em conexão com planos mais sutis. Mas em cada “mergulho” nesses estados inusitados de consciência distancia-se cada vez mais da via que o levaria naturalmente a esses mesmos estados por meio da meditação e do yoga. Esse é o grande perigo das drogas e dos vícios, pois acabam obliterando cada vez mais os canais sutis.

Existia na Índia, entre os brâmanes e lamas em centros iniciático de grande porte, a prática da ingestão do “liquor de soma” e do “liquor de sukra”, capazes de elevar a consciência e a percepção do discípulo até Atmã e beirar o Nirvana, de modo a mostrar “o que os espera” se dedicarem-se às praticas espirituais. Essas duas beberagens são ministradas em rituais especialíssimos, repletos de preparativos complicados, jejuns, depurações, etc., sendo o “retorno” dessa viagem “átmica” sempre uma fase extremamente dolorosa para aquele que a experimenta, pois ele se sente voltando para uma prisão e a um mundo de dor e dificuldades. Isso pode ser de certa forma entendido com relação a drogas muito estimulantes como a cocaína e a heroína, e o fator do vicio. Tanto soma como sukra agem diretamente sobre sushuma, mas sem produzir as obliterações que as drogas comuns provocam nesse canal. Obviamente a composição e uso dessas bebidas sagrdas são de domínio exclusivo de altos sacerdotes e sua aplicação faz parte de técnicas espirituais herméticas inacessíveis ao homem comum.

(Extraído da obra O Caduceu de Mercúrio, de autoria de Marcio Bontempo. Editora Best Seller)

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