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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Fonoaudiologia e DTM




A DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (DTM) é uma doença pouco conhecida e, por mais curioso que pareça, a maioria dos provedores de saúde tanto da área médica quanto da área odontológica a desconhecem. Muitos ainda acreditam que as DTMs tenham origem em causas anatômicas tais como assimetrias faciais, falta de dentes, dentes tortos entre outras. Algumas dessas teorias têm origem há mais de 100 anos. Apesar de que, com o passar do tempo ficou comprovado que não são mais verdadeiras, muitos ou por falta de estudo ou por conveniência de várias naturezas insistem em tratar seus pacientes tentando corrigi-las. Esses tipos de tratamentos geralmente são invasivos, irreversíveis, de longa duração, caros e na maioria das vezes resultam em insucesso.
ATM significa articulação temporomandibular. Esta articulação é responsável por todos os movimentos que você faz com a boca, existindo uma em cada lado (em frente de cada orelha) clique aqui. As doenças desta articulação e dos músculos que fazem esses movimentos da boca são chamadas de disfunções temporomandibulares (DTM). Esta é uma doença que causa sofrimento a milhões de pessoas ao redor do mundo, diminuindo a qualidade de vida e restringindo o convívio social. Um dos sintomas mais comuns da DTM são: dificuldade ou estalidos ao abrir a boca, não conseguir abrir ou fechar a boca e dores de cabeça mais de duas vezes por semana. Muitos pacientes apresentam este sintoma e não sabem que possa ser causado pela DTM.



DORES DE CABEÇA?

Algumas das dores de cabeça são de origem muscular e dos músculos que fazem os movimentos da boca e às vezes as áreas que as geram ficam em locais distantes das áreas que as mesmas são sentidas. Esse mecanismo de dor muscular é chamado de dor miofascial e os pontos doloridos que originam essa dor a distância (dor referida) são chamados de pontos-gatilho miofasciais. Esse é um mecanismo muito interessante e responsável por muitos erros de diagnóstico pois a dor se manifesta num local onde não há nenhum problema. Ela só se manifesta lá mas a sua origem está a distância.
Embora atinja milhões de pessoas no mundo inteiro, a DTM é uma doença pouco conhecida. São lesões possivelmente causadas por movimentos desnecessários que fazemos com a boca; hábitos como: ficar batendo levemente os dentes, morder os lábios ou bochechas, posições erradas de trabalho, de dormir, etc. O treino para a eliminação desses hábitos, ou a proteção dos dentes e dos músculos para os que apresentam o bruxismo, pode ser a chave para o alívio dos sintomas da disfunção.

O bruxismo, que se caracteriza pelo apertar ou ranger dos dentes que algumas pessoas realizam durante o sono ou mesmo durante o dia, foi considerado por muito tempo um dos principais fatores que causam DTM. Com a evolução do conhecimento, o bruxismo já é quase descartado como fator que cause dor ou mesmo DTM.

Segundo estudos recentes, a incidência mundial de DTM é de 3% da população ao ano. Apesar de ser uma incidência baixa, a duração da doença é longa, fazendo com que haja um grande número de pacientes.

O PERFIL DO PACIENTE

O paciente com DTM geralmente é um doente crônico que demora anos para buscar tratamento. Como os sintomas são muito subjetivos e podem estar ligados a outros problemas médicos (depressão, problemas otológicos ou reumatológicos), o dentista, muitas vezes, é o último profissional da saúde a ser procurado.

FORMAS DE TRATAMENTO

Embora se trate de uma doença que possa causar muito desconforto durante anos, o tratamento para esta doença, quando bem diagnosticada, não apresenta maior dificuldade. Com uma avaliação clínica bem realizada, que conste de técnicas específicas de diagnóstico, o especialista em DTM irá explorar e analisar de uma maneira ordenada as queixas do paciente, e por fim recomendará o controle necessário não só na sua área, como também será feito o encaminhamento do paciente para outros profissionais.

Geralmente o controle das DTMs é simples e conservador, feito por meio de terapias caseiras, exercícios, compressas, relaxamento muscular. Na maioria dos casos é necessária a interação de uma equipe transdisciplinar para o melhor entendimento e condutas específicas nas áreas de: fonoaudiologia, neurologia, psicologia, reumatologia, otorrinolaringologia, endocrinologia. O especialista em DTM deve estar apto a diagnosticar todas as dores orofaciais, tratando as que estejam relacionadas à sua área de atuação e encaminhando o paciente quando o tratamento demandar a intervenção de outro profissional de saúde. Só após a avaliação conjunta e simultânea nesses casos, será realizada a terapia.



SINTOMAS MAIS COMUNS QUE O PACIENTE PODE APRESENTAR

Dor de cabeça de um ou ambos os lados da cabeça mais de dois dias por semana;
Um “clique” ou sensação de desencaixe ao abrir ou fechar a boca;
Dor ao bocejar, ao abrir muito a boca ou ao mastigar;
Boca que “fica presa”, trava ou sai do lugar;
Cansaço na face ou ao mastigar;
Alteração no modo em que os dentes superiores e inferiores se encaixam – mordida desconfortável;
Ranger ou apertar dos dentes noturno /diurno;
Alguns tipos de zumbido nos ouvidos;
Dor ou tensão no pescoço referindo dor para a face ou cabeça.

VOCÊ SABIA?

Uma questão intrigante é que as mulheres em idade fértil são as mais acometidas pela doença, cerca de nove mulheres para cada homem. Atualmente, tem sido observado um aumento dos casos de DTM em adolescentes e crianças.

A importância do fonoaudiólogo insere-se exatamente neste ponto, pois, a fonoterapia foca a reorganização neuromuscular, não apenas para alívio da dor e diminuição da hiperatividade muscular, mas principalmente para recuperação da funcionalidade, equilibrando as funções estomatognáticas com a oclusão do indivíduo.

Felício (2009), afirma que “o fonoaudiólogo deve distinguir as causas das consequências, os fatores primários dos secundários e aqueles que se lhes associam agravando o problema”. O tratamento fonoaudiológico da DTM nunca acontece isoladamente. Sempre é necessário o trabalho em conjunto com outros profissionais, dentre eles o cirurgião-dentista.

O objetivo terapêutico do fonoaudiólogo é a recuperação do equilíbrio do sistema estomatognático. O tratamento é iniciado com a realização de uma avaliação miofuncional orofacial. Em seguida, realiza-se o trabalho de conscientização do paciente sobre os fatores causais do seu problema para melhor compreensão da importância de se reabilitar as funções miofuncionais orofaciais.




Bibliografia consultada:
FELÍCIO, C.M. Desordens temporomandibulares e distúrbios miofuncionais orofaciais. In: FELÍCIO, C.M.; TRAWITZKI, L.V.V. Interfaces da medicina, odontologia e fonoaudiologia no complexo cérvico-craniofacial. Vol. 1. Ed. Pró-Fono. Barueri, 2009. 
http://asgatm.com.br/disfuncao-temporomandibular/

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