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sábado, 8 de setembro de 2012

Neuroquimica do stresse e sua psicodinâmica

Cada dia mais pessoas no mundo inteiro sofrem cm problemas relacionados ao stresse. No mundo das comunicações, informações cada vez mais massificadas, o comportamento mais reativo, poucas pessoas param para realizarem pensamentos reflexivos, a manifestação de comportamentos estressados passaram, se tornou normal e aceitável, do ponto de vista de uma sociedade patológica que vive sob a onda de valores e comportamentos impostos, revelando-se irrelevante o questionamento a respeito do teor de padrões reproduzidos.
Em termos fisiológicos, e biofísicos, o stresse é uma resposta biológica é fundamental para manter uma certa rigidez no organismo, pois o mesmo aciona uma resposta imunológica e organica á  multiplos agentes externos.
A questão principal reside na perpetuação da resposta biológica de estresse, a famosa resposta de luta ou fuga. Quando o corpo reage de maneira intensa e imediata a estímulos, deflagrando uma resposta bioquímica de estresse, e após o evento estressante, o mesmo retorna a uma atividade normal, o estresse age a favor do corpo, garantindo com que o mesmo mantenha seu estado de harmonia dinâmica, denominado de Homeostase biológica.

 A biofísica da vida

 Pela ótica biofísica, o estado de saúde e higidez biológica é conceituado como a capacidade de produzir energia livre( produção de ATP), para manter a entropia (desorganização orgânica) baixa. E a forma como o corpo faz isso, é a partir das respostas de estresse, que o estimulam a se manter em movimento. O corpo não pode alcançar um estado de equilíbrio, pois equilíbrio em termos biofísicos, indica a total ausência de troca, movimento, portanto, morte. O corpo precisa sempre garantir a sua homeostase (harmonia dinâmica). O que se convencionou a chamar de estresse negativo, é uma outra resposta biológica, na qual o corpo perpetua uma resposta de estresse que deveria ser momentânea. A tal resposta, denomina-se distresse. O corpo humano é um ecossitema, constituído por uma população de 100 trilhões de micro-organismos tentando viver em harmonia e em constante troca.

A subjetividade por trás do estresse

 Sempre quando experimenta-se um evento estressante, há três momentos fundamentais, dentre os quais, a subjetividade humana demonstra a sua supremacia em relação a bioquímica do stress. São eles: o evento estressante, a avaliação interna do evento e a reação do corpo. A grande dificuldade em lidar com o estresse, reside na incapacidade da mente controlar a reação bioquímica de estresse uma vez iniciada. "... Em situações totalmente impróprias, como ficar preso num engarrafamento ou ser criticado no trabalho, a reação ao estresse pode ser desencadeada sem qualquer esperança de que o objetivo para o qual é destinada, ficar ou correr, possa ser atingido.( CHOPRA.1993. Pág.187). O fator deflagrador da reação de estresse a partir de um evento é exatamente a avaliação mental e emocional, pois vários indivíduos podem reagir de maneiras diferentes para uma mesma situação, pois não são as situações que causam estresse e sim a forma como se idealiza internamente as situações percebidas. "..Um policial que apareça na cena de um crime evoca um tremendo pavor no criminoso, mas grande alívio na vítima...."( CHOPRA.1993. Pág.188). Os filtros emocionais pessoais aplicados para traduzir os eventos são os fatores determinantes que denunciam a capacidade de um indivíduo se estressar. Alguns estudos científicos revelam, que além da avaliação interna como aspecto determinante para a deflagração da resposta de estresse, o que lesa o corpo, provocando doenças, muitas vezes fatais, é a alimentação da sensação de se sentir incapaz de lidar com as situações do dia-a-dia. O cientista e médico norte americano, Dr. Raphael Kellman, traz evidências interessantíssimas, a respeito da importância da auto-capacitação para não se perpetuar um comportamento estressante no corpo e assim, não gerar doenças: ".....Um famoso estudo no qual injetaram nos ratos um tumor preparado, o que lhes dava predisposição igual para o câncer. Os pesquisadores, então, dividiram os ratos em três grupos. Simplesmente deixaram um dos grupos em paz, no que poderíamos considerar modelo de vida " sem estresse". Um segundo grupo foi submetido a choques elétricos periódicos, incontroláveis e inescapáveis. Um terceiro grupo também recebeu choques elétricos, mas ensinaram-lhe a fugir dos choques (capacitação). Os resultados são informativos. Como era de se esperar, o grupo com maior propensão aos tumores foi o que recebeu choques inescapáveis. Só 27% dos ratos que viviam nessa vida de "alto estresse" rejeitaram os tumores. O dobro do número de ratos do grupo "sem estresse", 54%, conseguiram rejeitar o tumor. Mas aqui está a verdadeira surpresa: "um número ainda mais alto, 63%, dos ratos que receberam choques elétricos e aprenderam a fugir terminaram sem câncer..." ( KELLMAN. 2004. Pág. 26). "

Território" Neuroquímico do estresse 
                                         

 As reações de estresse possui um "território" neuroquímico, que envolve um eixo denominado, eixo HPA. Este eixo relaciona estruturas orgânicas. São elas: o hipotálamo, a glândula pituitária e as glândulas adrenais. O hipotálamo a partir da informação cerebral, produz o hormônio liberador de corticotrofina(CRH), promovendo a liberação do hormônio adrenocorticotrófico(ACTH). Estes hormônios estimulam as glândulas adrenais a produzir os hormônios aldosterona e o cortisol(hormônio do estresse). A regulação do estresse quimicamente, ocorre através do eixo HPA, envolvendo a amigdála e o hipocampo. Pelo hipocampo, a presença de neuroreceptores para glicocorticóides, que são ativados pelo cortisol, promove a inibição de CRH, que por sua vez, inibirá a produção de cortisol (feedback negativo). Desta forma, o indivíduo que possuir grandes quantidades de neuroreceptor para glicocorticóides no hipocampo, apresentará maior resistência para lidar com situações estressantes, pois o mesmo provocará maior inibição de cortisol. O interessante, é que o aumento de serotonina no cérebro, faz com que o hipocampo produza mais neuroreceptores para glicocorticóide e como conseqüência, maior inibição de cortisol.

Meditação e o estresse 

 Alguns estudos revelam que a pratica de meditação reduza a propensão ao estresse. "...Os níveis de cortisol e adrenalina medidos em quem há muito tempo pratica meditação são normalmente menores, assim como seu mecanismo de lidar com problema tende quase a ser mais forte do que a média..."(CHOPRA.1993. Pág. 196) Além disso, em pessoas que praticam meditação, os níveis serotônicos, segundo alguns estudos, tendem a aumentar. Tal aumento, leva o hipocampo a produzir neuroreceptores que irão provocar um feedback negativo, inibindo a produção de cortisol. As constatações científicas aqui apresentadas, vem corroborar e fortalecer a idéia de que, o aspecto subjetivo rege o aspecto objetivo. O corpo reage sensivelmente a nossa forma de pensar e de sentir a vida. A melhor maneira de estar bem consigo mesmo, não é apenas cuidando do corpo, mas fundamentalmente cuidando da mente.



Bibliografia CHOPRA, Deepack. Ageless Body, Timeless Mind. Rio de Janeiro. Rocco. 1993 KELLMAN, Raphael. Matrix Healing. Rio de Janeiro. Campus. 2004

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